sexta-feira, dezembro 25, 2009

...

Realidade espacial 
por claudia rocha - novembro de 2009

Então o tempo já passou
Já acabou o carnaval
Já choveu um céu de confete
Já molhou-se a calçada da frente
Repentina serpente mudando o papel
De que a realidade é um sonho
Todo meu e todo seu

Então já está um breu
Nesses olhos acesos que foram
Morreu um pedaço do eixo, cambaleio
Torto e à direto sem consolo
Vou sem meu braço dado
Ao que restou do passado

E agora que eu preciso respirar
Que eu preciso aparecer na janela
Ter um mundo
Vulgar
ou que seja
Pra eu chamar de mim mesmo
Independente do que seja
Esse eu agora sem vc

Então restou alguém atrás das roupas
Restou a rua inteira e a secura
A calçada da frente parece mais segura
Preciso andar pra outros lados desta Lua

Hoje eu já amanheci um céu
Nesses olhos de mar diluido
Morto em pedaços de sexo, me esqueço
Mas te esqueço também proibido

E vou sem meu espelho sorrindo
Sem precisar ver pra crer que estou vivo

terça-feira, dezembro 22, 2009

Rastros de lençol
                                         (setembro de 2007) por Cláudia Rocha

Meu amor me beija e me joga na cama
Me descabela e me embeleza de calor nos olhos
Meu amor vira sonho e fecha todas as frestas
Pranão ver a clausura do Sol
Entre a janela e o praíso do quarto
Meu amor deixa o mundo de quatro
braços, lábios traços-desejos emoldurados
E vira esquadro nos meus ombros
Construindo cada gemido no espaço
E funde seus largos nas minhas frontes
Inaugura uma cidade em cada roteiro
Em cada lacuna que o beijo
E vejo cada rastro
Lembro da rasura de desejo e inocência
Que a gente se desmembra e refaz
Com o mais puro e ardor abstrato
Concreto sobre concreto nos ais
Eu fecho os olhos e o vejo
Coberto por sobre meus nus retalhos
E nos acabamos, patetas, felizes,libertinos
Gozados, gozados

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Antiga (por Cláudia Rocha ) em dezembro de 2009

Eu
(Não essa que envelhece)
Sou chegada ao despudor
Aos aforismos desbocados
Às quatro pernas do mundo
Girando-se ao contrário
Sou chegada à uma velocidade
De um tempo que nunca pára

Eu
(Não essa que tem medos)
Sou finda de tornados e serpentes
Sou atada às veias veementes
Largo o dedo no papel
No seu corpo , no meu
Dou à cara ao céu
Digo que chova mesmo

Eu
(Não essa que consome amanhãs)
Sou hoje, agora, instante
Sou sem coração de ontens
A roupa jogada na pia
Face destruida por cacos
Eu me curo, eu me reencaixo

Eu
(Não essa com cores e gostos)
Sou pouco suor pra muito calor
Me perco no ar desse vento
Sou motor de arranque e explosão
Não tenho ritmo, rima, tendinite
Não tenho quem me ame às 4as feiras
Loucamente
Não sem cabeça, ou só corpo
Nem só mãos e mãos somente
Que não sabem tocar

Eu
(debaixo das cobertas do tempo)
Sou a mesma criança debaixo dos selos
Debaixo da boca, da língua
Me engulo, me lavo, me navego
Não me naufrago, sou terra
Mas, nem tanto, sou água
Derramo
Não presto, me estrago fedida
Limpo o borrão de maquiagem

Eu
(não mulher, nem mortal)
Sou feita dos feitos de carnaval
Na avenida florida
De gentes e dentes sorrindo

Mas eu, que sou eu
Sou de areia e sal
Sou letra , sou teia
Sentimental
Vou chorar, por vc não lembrar me mim
Eu que sou eu
Sou meio outra
Mas nada mal
Nunca mudo de mim
E só vou embora
Quando me expulsarem daqui.

domingo, novembro 15, 2009

As Folhas das árvores

O que as pessoas não são capazes
de fazer com uma folha em branco?
Rabiscá-las, atravessá-las -
quantas histórias não moldarão com a argila das palavras?
A escolhê-las e transformá-las em barco ou porto
Ou mar em desalinho solto
- ou outra âncora, janela pra outras folhas

Transforma-la-ao em vão de escada,
em adentro-
em sem traço
De sinuosa prisão de coitos e anseios -
deles mesmos - seios

Grade de asas, fórmula, molde - pássaros sem visão
E abismos, dionisíacos, enraizado desejo
Ah, quanto é nossa e não nos cabe a branca
e retalhada folha, nas mãos...

Em mosaicos de vontades, em delírios cheios de aspectos, e atalhos
De sedes sem gesto - pura e alva- como os olhos refletidos de passado
Dos dorsos de pescoço, das carnes
em união pelo ventre e vísceras e genitais

Você a pega e trama- e treme -
indexa ao seu anexo de estima
Sem nexo no espaço -
Rasga sua roupa-
em trapos e manifestos,
gira-a

Mas a sua inexatidão é uma nota - e solta -
é só uma folha vadia-mesquinha
E a cadeia de enredos
 joga os cabelos pra trás das murtas
Arranca os grampos dos varais das almas
E o barro a sangrar de doer
por cada odisséia e platéia súbita
Que é capaz de ver,
a cada assopro de linha
Enquanto você simplesmente poderia
deitar nela sem querer
E ver a noite virar dia,
vazia, travesseiro e sereno
Mas você prefere devorá-la
vivendo e sendo

Beijá-la nas duas faces,
como seu nome, como seus ossos
E vê-las-vê-la- como uma das folhas das árvores
Onde os papéis sobem no palco do mundo
E são todos nossos - ímpares e ambos.



quinta-feira, novembro 12, 2009

100 receitas para enlouquecer em silêncio

por Cláudia Rocha

Doi, sobretudo


E naufraga, sobremaneira

Por conseguinte ao instante

Que estamos distantes de ontem

O hoje quase não presente

É a sombra da luz dos olhos´

Esfera de núcleos atômicos

Balança a odisséia

Que traça a cada passo

De ponteiro, minutos

Que nunca,não se acabam



Sempre será menos dor

Como numa queimadura

A água também arde

Até que desestrutura

E nos deixa de olhos atados

De braços cruzados ao corpo

Sem endereço de consolo

Um coração a menos no peito

Tolo, o disparo

Pela boca aberta do estômago

E perco o partido verso

Sou toda ao avesso do avesso



Sou mágoa ignorada

Fingida, ue vira o pescoço para

O lado fingindo que não olha

Fingindo casualidade amistosa

Rasgada de raiva, abominada

Ainda que mágoa tão mulher

E chia de vaidades



Mágoa pura cachaça de boteco

Nas mãos e bocas áquens do desespero

Das mãos que se perdem ao leito

Num quarto de olhos, sem céu nas janelas



E dói, sobretudo preto

Sobremaneira branco

Mormente vermelho-sangue

Principalemnte humano

E passionalmente pronto, bruto

Pra te mandar para fora

Da minha cabeça louca

Com seus gritos de lobo

Te esquecer homem

Mais um como todos os outros.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Fotogênese (luz na base frontal - música ambiente)

Estou deserta de mim.
Porque inteira sou sua boca
Moro na sua palavra pendida
No verdor gritante da primavera
Sou o silêncio ensurdecedor
Dos gestos perdidos nos olhos
Desatentos como um papel no vento
Como um chover de repente
Ainda que por causa do calor

Mas estou grão sobre grão
Sem fruta ou fonte
Ou carne saborosa
Sem nas minhas-suas mãos
Um corpo de alma viçosa
Sem a luz que brilhe
Quando o Sol se põe

Sou uma noite
De luz apagada
E sem estações para parar
Ou canais de TV
Para passear de madrugada

Sou o apagão da rua ao lado da sua
A sombra do seu colorido braço
Sou o esboço de amor
Que nunca tentei ser aocerto
Ou até mesmo ao errado.

Estou desetta nas veias
Nos versos e vias
Estou alheia de mim
Na minha prórpia vida

E tudo porque...
E tudo porque?
Porque não posso ousar
Mergulhar nesse ar
Respirar seu corpo
E te amar.

........

(Cláudia Rocha - setembro de 2009)

quinta-feira, outubro 29, 2009

Despostando




Sobre a tal da inspiração.

A arte - essa que não é dos engenhos
Essa que não tece-se sobre fio algum
Mas sob uma corda estreita
De transparência confusa
Corda que puxamos as pontas
Mas a fronha não desfalece
Peça rara pendurada na parede
Como um mural de recados do mundo
Mas só em gesto, movimentos de cor
Chama lançada no olhar em silêncio

A arte- essa que não é simplesmente palavra
Sobriamente comunicante
Essa que nos constroi o dentro
Que não conhece mãos tolhidas
Ou rugas no rosto de velha novidade

Arte, essa do tamanho de uma formiga
Com asas enormes - sem medo das gravidades
Essa que te respira e de repente muda de direção
Que pode morrer despida
Essa ou aquela
Bebida amarga e derrelida
Líquida, essa, não consegue deixar de viver
Dentro dos olhos
Inconfundível
Sua saliva, suas narinas
seus fluidos
Marcas dos dedos sinestésicos
Fedida de humanidade gritante
Aberta de ontens
Fechada do não esquecer

Arte-essa
Que se respira e muda
De direção de repente
Ser  que - de quando em quando - não é.



Pensamento(tecido da cortina do palco): (voz do narrador)
A inspiração é o que simplesmente difere um artista de um artesão.
O artesão busca o igual no seu melhor
O artista busca o melhor no seu igual.

terça-feira, outubro 20, 2009

Encarnando a personagem





Idéias sem caule (por Cláudia Rocha em Outubro 2009)

Preciso de um amor preto e branco
Diferente do vermelho dos seus membros
Que não seja apenas leve com as mãos
e bem lento
Mas que provoque um certo arrepio
Como se roçasse uma folha em cada poro
Mas que essa folha fosse um assopro
E a pele fosse o pensamento enorme
Que nos reveste o corpo sob os lençois
Quero um amor meu de pouco tocar e mt perto
Mt tangenciado pelo quente
Mt quente e dentro
Preciso de menos vermelho e verde nesses lábios
Preciso de menos flores pelos olhos
Preciso olhar sua carne
E pensar vc: um aroma  que morde
E que deliciosa sua fome de mim
Rasgada ao meio das pernas, pelas bocas
abandonada nas pétalas dos dedos
e sermos terra em longo caule
e nos cobrindo um ao outro
façamos o sexo dos verbos e sementes
E seivas mais sublimes





sexta-feira, outubro 16, 2009

... *explosão*

Poesia despreocupada (por Cláudia Rocha - 2008/28 de outubro)

Estou cansada da poesia de olhos turvos
Encarando uma manhã de dentes prostrados
Corridinha de raios abertos noutro lado do mundo
Desembaraçada mas sem qualquer gesto
Pelada, ah, mas coberta de enfados e torpor
Fico morta aos solavancos da poesia sem perfume
Sem a música dos versos ou com rima de roda
Como musiquinha triste de cidade de interior da gente
Que parece tudo muito borrado, tudo muito parede mal-pintada
Perco meu ar de brisa livre
Com essa poesia estendida de todos os dias
De todas as gentes que pegam metro e trem
De todos que vão lá ver a volta que o mundo deu
Pra chegar a lugar nenhum
Não gosto da carne sem sabor de uma música feia
Que alguns olhos em breu se perfazem
Meu gosto é pela poesia sem lugares
Sem personagens, sem palco ou corpo pra morrer
Quero aquela poesia que se esquece de ser viva ou miragem
Que foge do propósito do pulso e das veias
Mas nem por isso é morta na linguagem do saber
Mal-falada ou mal-compreendida
Sem precisar deixar a gente sem graça ou com pena de entender
Ou com raiva do que ela poderia ter sido e não foi, derrelida
Eu quero aquela poesia que a gente escreve sem precisar reler
Pra ver que não era prosa, porque não precisaria ser
Bendita e falada em mar alto pra ter alguma voz
Entendida ao meio tom por caber num sussuro de todos os sons
Uma poesia sem linhas, que não manifeste o cansaço de um dia inteiro
De um ano de rios de janeiro a dezembros
Uma poesia sem tempo de relógio, sem portas de armário
Daquelas que quando vc olhe, não veja início ou fim
Como um desabafo em consolo de mim pra mim
Nesse borralho de mundo magoado
Esquecendo que seria de mim para ti
O meu caso de poesia é meu caso de amor
Ela tem que ser eu, ela tem que ser seu
Ela tem que dizer o que é voce antes do dia acabar
Antes dos olhos perceberem que está tarde pra dormir
Pois vc acabou de deitar - nesse vestido de azul
Pois ela já puxou seus braços pra si
E te abraçou.

sexta-feira, outubro 09, 2009

As crianças que fomos ontem - por Cláudia Rocha em setembro de 2009

As pessoas na velha face
De novidade
Tentam ser outras mas
Uma nova ilusão de vaidade
São as mesmas
Crianças abobalhadas
Velhas caducas
Na frente do espelho

As pessoas tentam ser boas
Com suas roupas e marcas e dentes
E sapatos e bolsas e mentem
Pq toda bondade de uma etiqueta
Não disfarça a maldade dos olhos

As pessoas são tão tolas
São amarelas e azuis
São vermelhas no sangue
Negras na pupila
Proteínas e adrenalina
Com sede de se dizer loucuras
Como a eternidade
Como a invencibilidade
Como histórias de amor sem cura

Bobagem
Tudo é bobagem
Quando eu olho pela jnela
E vejo a dor de outrém
Sou estupidamente nada
Dentro dela
Sou cretinamente alguém
Como todo mundo
Que sempre se esquece
Que nunca que se lembra
Que nada dura pra sempre

As pessoas crescem como arvores
Florescem bonitas ou não
Mas tanto faz
As pessoas envelhecem
As pessoas perdem seu pudor
E o unico poder
De ser humano - incansavelmente
No seu sabor sem sabor de gente
No seu mundinho de enganada cor
Lotada de esterco e sementes
E prazer sem prazer.


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Foto "Nudez Civilizada" retirada do trabalho de Arte e Comunicação (Cláudia Rocha e Hannah Sloboda) fazendo menção a uma obra de Ananké Assef "Fragmentos do Paraíso" em 8 de outubro de 2009

terça-feira, setembro 29, 2009

Pastelão, si vous plâit ?

 Van Gogh 
por Cláudia Rocha


Minha janela pendura
paisagem, rasura
Maquiagem, ranhura
Aterrisagem segura?
Minha mente procura
Uma viagem só de ida pra Lua

Minha tão doce estrutura
Infectada de humanidade
Eu sou de Vênus
Metade da sua verdade
Meu ser de Marte

Minha porta se fecha
palavra, gemido
sususrro contido
Um pouco de cor nessa festa
Mas minha cabeça imatura
Quer mais asas na bagagem

O que essa gente procura?
Uma porta ou janela
Ou procura quem sabe
Uma tela de paisagem
Um sorriso de olhos
Um alguém pra sua arte.








domingo, setembro 27, 2009

Hangover

Hangover

Resto de palavra engasgada
Amanhecendo na boca com gosto de mágoa
Lembrando o semi-acordado da risada
Ambientada em batimento alheio
Ela se senta nas veias
Finge que não acorda
Dá corda na alma de carne
Dança nos pés da insanidade
Pega o travesseiro da lágrima
Engole, cospe, chora
Amanhece novamente de repente
Com a memória em ressaca
E ri enorme - e dor
E dorme despudorada.

por Cláudia Rocha (outubro 2008)


HANGOVER, GAME OVER, WHATEVER....

quarta-feira, setembro 23, 2009

Homo Faber

Esse negócio de Liberdade


Pareceu curioso esse negócio de liberdade que me desacorrentou as pernas do chão e os braços do abraço sinuoso da cama. Esse povoar descuidado das roupas nas linhas territoriais do meu corpo despatriado. Eu daria mais pernas para este mundo girar se pudesse. Mas talvez eu não dê sequer uma única palavra para o futuro deste instante. Talvez eu dê para ele apenas um longo suspiro de paz - com se a paz fosse toda minha e eu não devesse nada - absolutamente nada, como assim não devo - a ninguém... nem a Deus por ter feito cada intervalo entre os poros, nem a meus criadores por ter feito cada vida entre as membranas desgastadas na fibra humana latente que me configura a existência. Tá ai uma palavra que faltava no Aurélio da minha cabeça: eu sou livre pro que bem entender!
Livre para acordar de manhã e abrir minhas linhas na torneira, livre para cada olhar primeiro sobre as coisas. Livre para me dar aos pouquinhos à todas coisas soturnas. Livre pela madrugada gostosa das cobertas, ou pela claridade da janela não adormecida. Livre para olhar o Sol ainda que ele fique guardado em seu novelo - amortecido de nuvens. Sou livre para o amor ainda que ele não me pertença. Livre para essa poiesis estúpida confundida com vaidade. Livre para abocanhar o mundo inteiro com as pernas e mãos e palvras ébrias - ou sobrias delas mesmas. Livre para te dizer o que queira, só pq sou livre e sei imitar o infinito tão etereamente
Hoje faz uma manhã bonita, diferente do mau-humor nublado de ontem. Hoje estou cansada de ser acorrentada à idéia fixa de ser feliz. E só por ser só livre, só e livre e somente... me sinto cada vez melhor a cada instante. Cada vez mais sufocada de vazios, que pesam quase nada sobre minha carcaça urgente. Mas esse meu nada é alegre e motivado de dez cabeças, só me faz pensar que posso respirar tranquila. Olhar pro relógio e entender que até os ponteiros não se preocupam com o tempo depressa que lhes invoca a humanidade. Hoje, e livre, e fixa, olhar pro Sol, e me desabar humana, sem precisar dos seus dedos e da sua boca nos meus lábios. Sem precisar de palavras para explicar o o doce brilho fresco da manhã em meus cabelos. Nesses braços longos que possuem os meus olhos - pra essa forma física que tem os meus desejos.

(texto adaptado de Hoje sou livre! feito em setembro de 2009)

quinta-feira, setembro 17, 2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

Sobre atrasos...

Atrasos são os silenciosos passageiros que estamos acostumados, nos acotovelando no metrô, nos perdendo em seu ponto cego, nos esbarrando de indiferença sem pedir perdão. O atraso é seu rosto pálido que passa, sem entender o desespero das minhas mãos soltas. Um atraso é um abraço nosso que não tenho, é um beijo que eu quero e até posso mas não te dou,pq não te alcanço coisa pequena e alada (longe)- coisa essa que me tira o sossego....

segunda-feira, setembro 14, 2009

Cena estrangeira

Idioma

Não falo sua língua
Pois ela é longa e trêmula
Quente flâmula
Inundada de delírios nos olhos
Não falo sua letra
Ela me engana, maltrata
Ela me cega
Eu sou surda pra sua lágrima
Tão gritante nos cílios
Você me diz gesto
Eu te respondo silêncio
Logo, então trememos
Avidos
No meio dos dedos
Sóbrios e ébrios
Dedos, esses que não se falam
Cheio de dedos nos olhos!
Lábios que não se calam
Nos corpos que se permutam
Se chamam, se queimam
De água e palavras caladas.

por Cláudia Rocha em setembro de 2009

quinta-feira, setembro 10, 2009

Coadjuvante em cena

ser outro - por cláudia rocha - 9 de abril 2009


HÁ UM DESCONHECIDO EM CADA SORRISO QUE VEJO
UM INDISTINTO SENTIMENTO
NUNCA SEI SE ACREDITO

ESSE ESTRANHO SUJEITO
VEM SE MOVENDO RAREFEITO
QUASE NÃO SEI PRA ONDE VAI
NUNCA QUE SEI SE DE FATO FICO
MIRA AVULSA DE SEU BIFURCADO OLHAR
MAS OLHA COMO É BONITO ACREDITAR
NO QUE PENSAMOS DAS PESSOAS

ESSE SER DE FEIÇÕES VÁRIAS
SEMPRE ME ENCARA SEM DÓ
CADA DIA QUE PASSO A TRISTEZA NA CARA
OU FELICIDADE MAQUIADA DE COR
ELE ME ENXERGA A PALAVRA MUDA
ELE ME DESORIENTA,SUJEITO
ME DEIXA CONFUSO NAS ROUPAS PERDIDO
ME DEIXA MULHER QUANDO QUERO SER SÉRIO
E SEM CURVAS NENHUMA, QUASE ANIMAL
QUASE HOMEM, SUBMISSO E ESCANCARADO
CARNE AO AVAL DE SEU BEL-PRAZER

SER NUMÉRICO AO INFINITO
NUNCA SEI DO QUE É CAPAZ
QUANDO ME DÁ BOM DIA E BOA TARDE
E BOA..., MALDADE DEMAIS
ME ACOMPANHA NO TRAJETO
ME TIRA DO CAMINHO
SER QUE ME MOVE DO DENTRO
DO QUE É SER SOZINHO

ESSE SER QUE SEMPRE VEJO
QUANDO OLHO PRA ALGUÉM
NÃO É OUTRO ALÉM DO MESMO
QUE SEMPRE NOTO QUANDO VEM
PORQUE O RESPIRO
PORQUE O SOU
PORQUE NUNCA SEI COMO O VER?
VAI SABER!
QUE ESTRANHO É ESSE NO ESPELHO
QUE ESTÁ SEMPRE OUTRO E MESMO
PRA QUEM EU NUNCA SEI O QUE DIZER?

domingo, setembro 06, 2009

Ah, como chove lá fora

É...
Eu raramente escrevo textos livres. Textos isentos de uma página à salvo no meu computador ; à sete chaves. Meio líquido, meio sem ser relido. Alguma coisa que é chuva, que vai seguindo um rumo na calçada que eu mal-conheço. Alguma coisa que fale de mim, sem que precise ser à minha cara, e que vc talvez possa se ver no espelho, mesmo que eu dê o detalhe da borda. Preciso ser mais madura. Aceitar que nossas palavras não cabem nos dedos, e são minhas... como poderiam ser suas.
Mas eu não aceito.
E salvo correndo minha idéia trancada
Com meu gosto salgado de mulher cheia de grades
Salvo meu homem de páginas
Dentro das pernas

Esquecendo dos ontens
Eu preciso crescer, coisa pequena em mim
Eu preciso suportar temporais.

Monólogo do silêncio


Título: Shhh...

O silêncio não é só o mais inventivo dos criadores
Ele é infernal, repulsivo e arde nas profundezas da Terra
Berra, nas promiscuidades do olhar perdido

Ele é aquele não fala o porque das coisas
E se aquieta e sorri na sua plenitude pequena
E finge que delira quando entra em cena

O silêncio não precisa de platéia
Percorre as ventosas do ar e lamenta
O sei-que-lá criativo- em cada buraco da teia

O silêncio versa um verso vazio

Uma tela impressionista e cheia de rabiscos
Uma linguagem inexpressiva- irreal, saturada
Ele canta uma música distante e rasgada
No seu propósito de arte vesga e invalidada

O silêncio vai morrer em si

Cada vez que o tempo escorrer
nos olhos vc vai fugir?
Cada vez que a pálpebra tremular o amor
E em quantas você não vai enxergar
O sentimento que o silêncio não sabe dizer?

O silêncio não sabe você, não sabe a mim
Não sabe a si - a que veio
E nesse passeio interior de si
Eu fui e voltei no meu peito
Em um quilômetro de coração

Só porque vc não teve os freios,
Que as palvras expressam, na locomoção
Só porque o som da decisão
Não teve o mesmo propósito permeio
Que o silêncio teve na sua compreensão
De mundo?

Quem mais ficará mudo?
Se a nota grita uma odisséia
Em cada olho, em cada expressão
Permeia?

O silencio não tem fim
O silêncio nunca nasceu
Ele olhou pra mim
Com seus olhos muitos
E me furou os dedos.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Um pouco eu-música sob o olhar ameaçador dos holofotes


Trem da liberdade - música de Cláudia Rocha

No meu vagão
Estou sem trajes sérios
Apenas vento e hemisférios

No meu vagão
Estou sem caras trites
Pra onde existe felicidade
Eu quero ir.

Ir além do buraco na parede
Atravessar o tempo-trilho
Sonhar com sede

Eu quero ir...
Nessa noite, nessa sorte
Pq a vida- quem sabe -
É só o encarte
Do amor à toda velocidade.

No meu vagão
Eu tenho meu relógio
Não tenho ódio
Não tenho pressa

No meu vagão
Eu já estou expressa
Aonde existe felicidade


Eu quero ir
Ir além do buraco e dessas redes
Atravessar o tempo e o frio
Cores e flores

Eu quero ir
Nesse dia nessa arte
Poque a vida - quem sabe-
É só uma parte
Do nosso sonho em liberdade.

domingo, agosto 16, 2009

Na rígida carne de juta (coadjuvante)

" Mas nada disso se sabe/se, do ventre não se ergue a vista/até o rosto onde,(...)do fundo do corpo - nos fita/a escondida menina na pantera" (trecho de "Pôster" em "Dentro da noite veloz")

Não tenho pressa (outubro 2008 - claudia rocha)

Hoje eu fugi do meu sonho

E acordei cansada

Porque só eu sei

Da minha memória guardada

Que volta correndo depressa

Por cima do travesseiro

Transbordando o lençol

De corpo, de carne

De gente em exausto devaneio

E o sonho desgruda das paredes

Arranca os cabelos, as unhas

Estrangula a centelha

E nos dedos, fica brincando o violão

Mas não é pesadelo não

Porque de pesadelo, amor

Só me basta acordar

E olhar o chãoTão perto dos pés

E tãoLonge de levantar

Esse dia todo que você guardou

Nos bolsos, junto com um canivete suiço

Eu não preciso, não quero

Nada de, apenas, isso

Eu quero sonho caminhante

Que marque pegadas no instante

E possa acordar para acontecer

Não quero herói ou coadjuvante

Quero sonho de gente

Que exaustivamente devaneia

Mas que pode alcançar - se correr

sexta-feira, agosto 14, 2009

Respondendo ao Robson Cassimiro

Ainda que não preste (por Cláudia Rocha - julho 2008)

Mesmo que etílica
Eu ainda tenho a rudeza ingênua
De uma uva esperando ser espremida
Fermentada e sorvida
Pelo organismo espantado do mundo
Cheio de dentes e olhos
Pra essas coisas óbvias

Mesmo que desinibida
Eu ainda tenho o primeiro
O segundo e terceiro silêncio
Que as virgens ressonam ao quarto
Da sua quinta noite de sexta feira
Ao lado de seu sétimo amante
Que não a levou para outra oitava
E simplesmente desprezou todas as suas notas
De sua escalada vida gradeada
Pras essas coisas do mundo

Mesmo que puta enrustida
Que seriam todas essas sombras
Adolescentes e idosas
Mesmo que mulher e cálice
Mesmo que uma besta humana
As vezes eu sou de verdade
As vezes a vida se parte
As vezes eu canso do imundo
E me lavo, uma santa
Nesse rio de olhos
Nesse perdão de pecados

Pra essas coisas óbvias...
Pras essas coisas do mundo...
Maravilhosas.

Fogos! Fogos! e mais fogos!!

Gente, gente!!

Como estou feliz de ver uma multidão de mais de dois olhos lendo atrás dessas cortinas !! / confissão desavergonhada

Respondendo ao Leonardo

Inspiração?

Uma vez escrevi algo a respeito disso...
Na verdade uma, duas ou três mil vezes.
Acho que nesses 11 anos de vida lúcida, 9 anos de música e 22 anos de pura poesia rasgada, alguma coisa que é tempo(que não serve pra nada na maioria das vezes rs) respondeu pra mim que inspiração é um pouco mais que um estado de espírito. É um treino árduo de tentar ser vc enquanto o mundo é mundo.
No entanto, não acredito em nada que venha de fora pra dentro - principalmente pq a nossa vida, que é nossa grande percepção, só acontecesse mesmo de dentro pra fora (daquilo que a gente percebe atenta ou timidamente).

A diabazinha da madrugada e o negócio da inspiração (Trecho - por claudia rocha em 2005)
"Se roendo de rir, que eu sei,
Ela iria te dizer:
O negócio não é a chave
O negócio é querer abrir."

Moi Même protagoniza em sua pedra.

VAGAROSA (por Cláudia Rocha em Agosto de 2008)

Quando o vagão passa
Ele leva milhares de vagas
De assentos desocupados
Silencioso - sumindo pelo buraco
Para ir dormir no final da passagem

A gente não vê quem passa
A gente não vê quem dirige
Essa gente é muito desatenta

Mas eu só entendi essa hora da manhã quieta
Que a semana inteira a voz da eleticidade
barulhenta
Fica berrando quatro ventos nos meus ouvidos
Balançando os cabelos

E eu só percebo quando suspendem milhões de fios
Que alguma coisa passou e entrou pelo buraco
Da memória, do subsolo, pra trás do olhos
No ponto cego de enxergar
Alguma coisa pesada carregando pessoas e vagas
E que eu não sei quando vai parar.

Pode ser amanhã, pode ser... quem sabe?
A saudade não cabe no vagão que a gente cabe.


quinta-feira, agosto 06, 2009

O figurante e a Torta de laranja principal



O gosto do gosto - por Cláudia Rocha (Janeiro 2009)

Eu não tenho pressa na minha entrelinha
Porque sei que tudo que vai em mim
No ponteiro paralítico das noites e dias
Nessas palavras sem Sol - não irão fugidias

Por isso prefiro degustar
O sumo sinuoso de todas as delgadas notas
Para molda-las no mel orvalhado do corpo
Do que apenas servi-lo
Como um bater de olhos descompassados
Como um arpejar de cordas malcriadas

Tenho fome de refugio
Mas nao para ser, de sombras, aniquilada
A minha fome eh aquela de mordidas educadas
Que buscam compreender antes de julgar

A idéia que a minha veia fotografa
Dela quero ouvir dizer todos os sons
Na imobilidade sufocadamente
Nas nuvens da minha cabeça distante

Tenho a pressa de sentar no dentro
Abrir o fora por extenso
Tecer, sem precisar ver o tecido inteiro
Sõ pq é bom tecer e ler
Como tb é bom beijar e fazer amor

Sonhar macio sem acordar
Poesia sem querer
Qse um gesto de natural palor
Um peito cheio de leite
Para meu animal nascido
Um pouco de sorvete no calor
Vento guardado no bolso
Na nuca, entre os pêlos
Eu nao tenho prssa
Nao é ela a alma q te dou e tremo

Eu te dou o riso
E a alça da blusa
E o olhar descendo
Na menção perversa e infinda
De mergulhar sem se preocupar com as ondas

Pq morrer eh coisa de um segudo
Nesse chover ou explodir de mundo
Mas escrever, amor
É uma premissa de arrepio
Desses que não acabm nunca
É isso q eu te dou
É isso que quero dar
Gozar de gritar
Cheiura no vazio
Amar de simplesmente amar
Isso é o organimo de estio
Que vc com esses olho frios
Busca ao me acordar do silencio

Pq vazios somos
(Atento amor
Cada olho que ousar me ler)
Até que sonhamos
(sem querer)

quarta-feira, agosto 05, 2009

Voltando ao cubismo

RESPEITÁVEL PÚBLICO

A nossa publicidade é o melhor do nosso país.
Porque não consumimos boas carnes,
boas frutas, bons sabores,
mas marcas macias, coloridas e deliciosas.
Somos perfume importado da cabeça,
os nossos sentidos tem mais olhos do que apenas dois
Nossas mãos tem mais amor nos seios fartos
Somos convencido pela beleza ímpar
Que pedimos emprestada aos deuses
Somos um cartaz que é mapa
Mas que nunca é território
Falamos de outros pelo que vemos
Julgamos o livro pela dureza de sua tez
Mas quem julgaremos
Se desque que somos temos um nome
estampado na testa
Temos um mandamento
Uma cruz no meio do peito
Somos antes antes até de existirmos
Porque tudo o que vemos
Produto lacrado de veemente imaginação
A publicidade fez o homem andar sobre rodas
Fumar Malboro, ensinando a montanha e o abismo
Cantar numa chuva de recados transados
Sonhos descoloridos e pintados
Um molde, uma brochura do tempo
Um anexo, um retrato
Daqueles que guardam o momento
Dos nossos lábios engarrafados
Bebemos nossa doença
Nossa vida semi-morta e mentira
De idéias de garfo e faca
Porque montanha-russa?
Porque não sou bucólica
Meu carpe diem árcade
É uma música de bossa nova
Minha eletricidade é minha arte
Eu consumo movimento
Eu consumo vc a toda parte
Eu me acho em tudo que vejo
Pq tudo no amor é publicidade
Tudo no sonho é um produto de vitrine
Até pq nem fugiria a nossa lápide
De nos dizer de nós
Algo com um "q" de desumano
Um "q" desmedidamente sublime
Um q perdido na rede - na internet
Um q - que eu nunca sei o q dizer
Uma expressão que eu não tenho
Mas que vc vê se enxergar
Muito prazer eu não me conhecer, estranho
Mas o verdadeiro prazer
É o seu em me comprar.

Culpando a janela pela paisagem



Hoje vou fugir um pouco do padrão "blog de poesia-prosa" para comentar a respeito deste evasivo caos que se instala por hora. Não seria apenas a gripe suína que está tendo um enfoque incomensurado da mídia, ou das máscaras políticas do Sarney ou dos abusos de outros países quanto aos limites ao nosso território e cultura - mas todos estes enfoques juntamente, que seriam paradoxoz bombásticos em todos os conceitos atuais de: globalização, democracia e neo-liberalismo.
Há uma via de conflito entre a cultura adquirida pela noção de globalização que soa permissiva e passiva, em confronto direto com o sentimento pós ditadura, de liberdade feroz e auto-afirmação que os filhos de sarney em sua grande maioria passaram a desconhecer para reconhecer aquilo que enxergamos de mais coerente com nossa época. É revoltante pés atados. É temeroso pensar que nada podemos fazer quando ouvimos do Ministério da Saúde que 2,7 milhões (1 a mais pessoa que seja) ainda se contaminará e terá risco de morte. Que haverão mortes, que ainda há algum julgamento político, alguma espécie de pensamento sendo desperdiçado para atribuir poder de alguém ou tirá-lo por erros cometidos principalmente por nós, quando cedemos o poder público nas mãos da dúvida - e mesmo assim, nossas mãos também não poderiam ser mais sábias. De tudo que sabemos do horrível, só ouvimos a tragédia posterior - pouco tenta-se enfocar o que poderia ser feito.Com twitter, blogs, youtube, temos olhos atados e falamos da cegueria completa de estrangeiros. Mas na nossa janela a visão não é panorâmica - é quase igual ao de uma janela de alcova. Talvez até se imagine, mas são tantos os interesses de descrever a paisagem ao pé dos mesmos, que nunca pode-se ver o que de fato seria.
Pode parecer incoerente, mas acredito que o sentimento em relação a todas essas notícias atuais seja o mesmo. Seja tudo um pouco piada como a da fotografia ao que descreve a legenda, sendo que a fotografia em si é patética - uma tentativa falha.
Nossa mídia é uma tentativa patética de demosntrar uma verdade perdida em mãos descontroladas. Não digo toda ela, mas boa parte - a parte desesperada principalmente, sedenta em opnar, em formar opnião de seu público - que infelizmente acaba sendo enorme. Não há opnião diferente de que tudo está errado? Há só o asslato, a morte? O desespero? Há só a palavra pandemia? Quem sabe completamente sobre a gripe? sobre o passado dos políticos? dos acordos secretos em que se vêm à tona apenas o lixo e um hectare a menos da amazônia?
A mesma rede que conecta o conhecimento, acaba sendo uma grade para todos nós.

terça-feira, agosto 04, 2009

Brevidade

trecho de "E o tempo" - Julho de 2009

Um pouco de amor verde
Nesse róseo mundo
E teremos dias amarelos
Num foguear azul
De céu branco

sábado, julho 18, 2009

A técnica da expressão

Botafogo amanhecendo - por Cláudia Rocha

"Fellings, nothing more than fellings"

Passageira
(julho 2009 - Cláudia Rocha)

Passa depressa passa
Porque a vida apressa
A hora se remoça
A dor não se remove
Com calor e dança
A dor tem seu emblema
Sua foice, sua face
A noite tem seus dilemas
Estupidos e precoces
A noite é o dia tarde
Porque viver de dor
É negritude - escurece
Amanhecer ao reves
Da propria sorte
Faz parte de filme
Faz parte de fábula
Faz parte da virtude
Faz parte da arte
O seu misteiro de tempo
No seu efemero que escorre
Nas bochechas nas lápides
Faz parte da vida
Passar tão depressa à morte
Só pra lembrarmos na face
Da tristeza
O que é felicidade
Atraves da lágrima do riso
Encontrar a secura do pranto
Atraves do caimento do vestido
Entender seu porém de pano
Cortina e retina
Passam
Mas não fica memória
Se não ficar na glória
De um beijo ou abraço
De um embasso sequer
Passado mal passado
Passo-ante-passo
Através,atrás dos olhos
Eu vejo meu hoje
Perdidido no pedaço
Do relógio
Eu sonho meu futuro de agora
Esse, que entra pelo buraco da carne
Esse que gera uma flor, pelo pólen
Esse que germina e aduba o solo
Ao final da viagem.

segunda-feira, julho 13, 2009

Trilha sonora...


Vou pegar esse mundo emprestado pra ver se alguma parte dele me entende...

More tha this - July for Kings

If there's something here to learn
I guess I'll find a way
To turn the absence into life
If you take the blame
I guess it's time to fade away
And turn the day into the night
And if there's nothing left
Then I'll confess
And put to rest Orion's sky
We never really knew

Keep the day in
A music box
Open it every now and then
To hear it stop

And I see myself
Staring back at me
Through the mirror I'll be
More than this
More than...

If there's nothing here to see
I guess I'll close my eyes
And take the fall
Goodbye, goodbye

If there's nothing left to see
I guess I'll close my eyes
Goodbye, goodbye, goodbye, goodbye, goodbye

Keep the day in
A music box
Open it every now and then
To hear it stop

And I see myself
Staring back at me
Through the mirror I'll be
More than this
More than...
Staring back at me, back at me, back at me, back at me
I'll be, I'll be
More than this

Keep the day in
A music box
Open it every now and then
To hear it stop

And I see myself
Staring back at me
Through the mirror I'll be
More than this
I see, I see...
Staring back at me, back at me, back at me
And I see myself
Staring back at me, back at me, back at me,

quarta-feira, junho 24, 2009


paquerando a entrelinha julho de 2008 por Cláudia Rocha

Eu descobri que talvez eu não saiba
Ainda ou distante
Que cara , que cor e que dialeto
Constitui a descoberta
Antes ou depois
De ser aberta no horizonte
E na janela.

Eu descobri que ainda que descoberto
Eu ainda verei muitos sinos e hinos
Muitos ares e muitos verbos
De lugares e amores que não conheço

Eu descobri que os Janeiros
São Marços e às vezes
Até fevereiros podem ser dezembros
Se existirem quartas-feiras

Eu descobri que pés-de-pato
São asas de outra maneira
Pois que na verdade
Todo desejo do mundo
É apenas
Ir fundo
Para cima ou para baixo

Eu descobri que não sei chupar dedos
Ou chupetas ou outras maneiras
Pra dizer que eu preciso de líquido
Que algum sumo disso quem sabe
Seria vida
Ou organismo estendido
Com medo da chuva


Eu descobri um vizinho oculto
Chamado desnudo
Que eu quase não reconheço
No espelho a mesma face
Quando o ardor se cobre

Eu descobri shaikes e andares
De palácios e ares de outro tempo
Que mal ou bem
Ainda serão meus
Afinal a fantasia
De tudo faz parte
Na história de antes
E na história que eu quero contar
Pra vc dormir ou dizer adeus


Eu descobri talvez que com 21 anos inteiros
Eu talvez ainda seja meia
E ainda falte um par
Pra me fazer andar com as pernas quentes

Talvez um ímpar
Talvez um amor
Talvez um sequer
Ou ainda - simplesmente
Talvez você, José.

[foto PROPOSITALMENTE safadenha! o/]

terça-feira, junho 02, 2009

Sim inverno, ainda estamos vivos...

MAR ENTRE AS PEDRAS - por Cláudia Rocha em maio de 2009


PENETRA, DEVANEIO DE MÃO SALGADA
PRONTA PARA CONSTRUIR COISAS COM ÁGUA
GRÃO À GRÃO DE PALAVRA
ENTRA ÍNFIMO NO MEIO DA MINHA CARA
ESBOÇANDO SORRISO, ANOITECENDO

PRAIA DE UMA LUA VAZIA NO MEIO DOS OLHOS

NO MEIO DAS PERNAS.. ENTRA, SILENCIO
DEIXA EU SENTIR NOS SEUS POROS A MUSICA
ESSE DELÍRIO-ARREPIO CHEIO DE ESTAÇÕES

ESBURACA, RASGA, MATA
ESSA SAUDADE GASOSA E PRATEADA

CHEIRO MACIO DE ONTEM
VONTADE CONCRETA DE SOLIDEZ ETERNA
VENHA!, CARNE NO MEIO DOS LÁBIOS
TENHA TODOS OS MEMBROS, MÃOS E PERNAS
E LINGUAS MOLHADAS NO CÉU DA BOCA

FURE-A! A SUPERFICIE DOS SENTIDOS
INVADA A PELE COM SEUS GESTOS BRANCOS
FAÇA LUZ COM SEU GRITO DE PROMESSAS
PROMETA E DEVORE O CORAÇÃO COM GARFO E FACA
DOMINE O CORPO, SONHO LOUCO E SEM NOME
PREGUE A PEÇA
DEIXE A CABEÇA DOBRADA EM SEIS

NO SEU PAPEL DE ATRIZ, ILUSÃO
SOMOS DUAS
VOCÊ INVADIDA EM MIM
EU DIVIDIDA EM ATOS DE TI
E DE MAIS TRÊS DE IGUAL TEZ

GOZADO SONHO DE LÍQUIDO ESTRANHO
ME FAÇA SEU CASTELO VULGAR DE PRAIAS AZUIS
QUE TUDO PODE DERRUBAR COM AS ONDAS
ESQUEÇA MINHA GRAVIDADE HUMANA

ME TOMA! ME ENGOLE!

ME FAÇA ACREDITAR SEM OS PÉS, SEM VER
ME FAÇA VOAR COM ASAS DE ISOPOR
PQ NO ABISMO O SABOR
É BEM MELHOR COM VOCÊ.


[desabafo de hj //// entro onde não devo... Devo aonde não entro??]

segunda-feira, maio 25, 2009

Fumaça, fumaça, e mais fumaça






Eu e também vc

Eu sou a solução para suas noites de frio
Amável, rebolável, sensível e adorável
Eu sou legal para sua prateleira
Nada melhor do que dois schopenhauer meus
Com um proust seu
Sou adubável em solo fértil
Voável em asas longas e dias de Sol
Em que vc apagar as nuvens do seu desenho
Desejável para surdos e mudos
Sou dois mundos em separado:
O out-nada e over-tudo
Eu sou da gravidade
Pq sou tempo e inverdade
Na minha parca juventude
Mas sou a velha que vc vai querer
Juntar as chinelas
Passear de madrugada
Dividir ataduras
E diversões malcriadas
Sou o umbigo que vc vai detestar ter conhecido
Enorme do tamanho do mundo
Sou aquela que vc vai desejar não ter nascido
Só para nunca ter que morrer e me deixar só
com meu amigos imaginários e sonhos piegas
Nesse breve resumo da eternidade
Eu sou um pecado abandonado
Na maça mordida de Eva
Sou tanto assim, abismo amigo?
Para vc também está guardado ser
Os pobres olhos que lerão minhas idéias, incrédulos
Mas o corpo e alma porquem vou querer amar e viver
Entender, conhecer e graduar
Porquem eu só não vou desaparecer
Porque te deixar só - sem me suportar
Já que seria o horizonte sem o mar
O céu sem luar
Foder de chorar - sem gozar.



[Ai minha cabeça louca, minha cabeça oca, minha cabeça outra...../

terça-feira, maio 19, 2009


Copabacana - por Cláudia Rocha em Março de 2008
Moça bacana que veste seu terno com cuidado
Que penteia o sorriso bem desembaraçado
Guardado pra ser colhido qdo for a ideía
Moça do preto sapato, bordado até na sola
Guarda no pescoço a tatuagem na gola
Da maldade escondida debaixo das roupas
Mas a cinta que a liga nos arcos
Das ancas até as meias,
Tão lisas e presas às coxas
A fazem tão moça sacana escondida
na caverna do metrô de copacabana
"Alta hora da noite e essa dama
escolheu logo hoje pra sair tão tarde?"
Uma senhora se engana
Sua arte na verdade
É ser boa de cama

domingo, maio 10, 2009

Luz vermelha e quente sobre o palco............



Boca tua

Boca malévola de lânguida letra
Escorregando ao canto da parede

Sua listrada orgia melancólica

Com a fresta dos olhos, inquieta

E ardente...sol de meio-dia

Vai tecedno o sabor de fruta solta

Dos pés, asas de fogo ao redor do som

Quente descendo como uma colher de sopa
Dentro da cavidade do peito, debaixo do ventre

Boca de mãos secretas

Apertadas pelas pernas, volúpias

O som vem escorrendo espremido na pele

Plúmbeo na vagina
Sinto o seu breve relampejo dos dentes

Sinto sua respiração movente e arfante límpida

Quando diz coisas simples

Como bom dia e boa tarde

Sua boca e beleza sabe ser triste

Quando me roi num sorriso de pura vadiagem

Quando me torna pó nos olhos metidos

Dentro do corpo, contido nos gestos

Quando deixa de ser de um rapaz

E passa a ser temperatura com fôlego

Rachadura de uma membrana impactada

No que há de mais tímido de uma palavra

Ela se despe pra vc

Quando apenas ouço e imagino
A sua face cheia de sons todos e tão teus

Entendo a maldade que tens de sobejos breus

Cada vez que a abre e fecha-a torta

Fico morta até q ela me invada inteira

Sugando para uma vida de estações

Boca de verão, sol aberto de saliva

Escorre meu corpo de chuva

Condensado nas tuas mãos tolas

Do quanto sou tua só de te ouvir

Estou me despindo para elas, infernais

As palavras que me ordenam à masmorra

De morar nas grades dos seus dentes animais

Até quando vc ousar me proferir, soberbo deus

E eu não me aguentar apenas nos ais

Nos lábios meus que são tão teus

Verbais - e lascivia! - tão pouco contextuais

quinta-feira, maio 07, 2009


*A desconsciëncia do mundo* por Clãudia Rocha

Um pé depois do outro
Em algum lugar eu vou chegar
Nem que seja
Na próxima pedra ou pulha
Portuguesa

Eu não tenho continente
As minhas terras em separado
São membros de um mesmo corpo
Sangrando

Somos todos quebrados e burros
Como esse chão
E essa comédia
A tragédia do mundo é pensar
Em tudo
Menos no chão e nas janelas

E ficam pedras, ficam velhas
Cacarecos rupestres
Tremores e agrestes
Centelha e solidão

O homem é uma poeira
Dentro da pdra filosófica do mundo
E do que vier
Construido de razão
E sem qualquer

quarta-feira, abril 29, 2009

A cena da boneca




*A boneca ao lado da cortina* por Claudia Rocha

Retina cretina
Finge que nao enxerga
Mas eu sei que nao passei de apenas
A sua boneca
Strip or tease
Vem me toca
Vagabunda e torta
Como a fechadura da sua porta

Como a cadeira que balanca
a sua infancia de palavras nuas
como a lembrancas
esse beijo eh so um parte perdida
das maças e da ruas
como um pecado a quem se pede o perdao
de ser tao meu
vou atraves do la fora
amar a ilusao de agora
antes que nao exista mais o depois
e o antes ja seja apenas adeus

Imovel
Lavavel
E adoravel
O meu nome eh mulher
Mas meu sonho~
eh produto renovavel

O meu homem tem corpo de ar
Ele voa mais alto que eu
Enqutno eu sou soh brinquedo
Ele um adulto carudo e ossudo
que pode respirar nesse breu
Nesse amor que é só seu

Amavel, inflavel
apenas um boneca
para me atar a cortina e ver o ceu
Que ~e uma lagrima aberta de azul

Uma flor mal-querida, de plástico
Despetala meu existencialismo cru
De botões quebrados carismáticos
Olhos de um peito rosado, aquarela
Sangue malcriado
Eu desmonto as tranças
E fujo pela janela.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

A hora das cinzas

Foto tirada por mim dia 13/12/2008



A hora da espuma

Amor é uma banheira cheia de espuma

Quando entramos nele, somos sólidos

Quando bebemos seu disforme líquido

Instransponível nos dedos

Somos - à toda parte

Cheirando à sabonete de lavanda

Mas ao sair dele é um derramar de águas

Descondensado

Fluxo desalmado

De transparentes lavas

Ardemos na boca ártica do mundo

Temos o arrepio súbito do suor gelado

Que nos arremata a nuca gasosa

Em todas as línguas avessas

Sugando o sumo dos olhos

Queremos logo outro banho de mágoas

Tamanho o querer de uma ducha desesperada

Buscamos a cheiúra vã entre as pernas

Pegando-nos até os ombros sóbrios

Pendemos a nos inundar e mergulhar

Na tênue e indefinível lembrança

Por isso temos líquido na torneira de ossos

Líquido alcoólico, breve e espesso

Somos um gozo de organismos suspensos

Que só queria se espalhar aos quatro cantos

Dos braços abertos e tão largos quartos e paredes

Tanto que não poderíamos imaginá-los tão sólidos

Queremos outra margem para nos desembocar

Os sábios amparos extensos

Que guardamos em um infernal cômodo do peito

Que não se acomoda na casa que é ser

Que nunca se suja nessa infecção deslavada que é existir.

sábado, fevereiro 14, 2009

Pastelão!!

Porque um pouco de humor não faz mal a ninguém :)


Título: Clowns in me (canção feita em novembro de 2008) por Claudi Rocha

Talvez tudo o que eu deva
Seja por o meu nariz de palhaço
Vc pensa q eu gosto de rir
Mas meu peito de aço eu escondi
Atrás do horizonte
Bem longe da luz - embaixo do mar
Pois meu olhar permeio
Como a graca sem freio
Não esconde o amanhã que virá


Tão vermelho, amor
O Sol sai do picadeiro
Do Meu coração
De brinquedo alheio
Descabelado veio
Mas meu humor rasga o peito
E eu nao consigo parar de cantar
No meu rir
Que só ri
Que só ri
Que esse rir
É o pior chorar

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Gelo seco no palco nevado da mente = NOSTALGIA


"Há quem diga que todas as noites são de sonhos...
Mas há também quem diga nem todas...
Só as de verão..." Shakespeare



Você pensa que só eu vou rir assim
Dessa vez, meu bem, você acertou
Só eu vou rir sem pressa das suas risadas
Só eu vou ligar seus dedos nas tomadas
Ou então vou bagunçar desse jeito seu cabelo nas minhas mãos
Você pensa que eu não vou lembrar de nada
E pode ter certeza, noite clara
Sempre vai existir a madrugada

...


E os lençois - que vão dizer desses fantasmas?
Que eles vestiram sem roupa, só almas e enfados
Você repousa a mão nos meus quadris largos
E gentis seus olhos sorvem um sonho adocicado
De verão... - sazonal esse ano não?
É difícil ser difícil nessas parcas horas
Que o peito bate apavorado
Nessas em que você pensa que eu fui embora
E eu fui, te digo - e de mãos dadas
Ah! eu te puxo pro arredor de mim
Pra repousar num largo azul de espelho
Redondo e cheio de permeios, de nunca mais te ver
Mas minha estante tem livros que eu nunca vi
Que falam teu nome, que gemem teus perfumes
Que acordam com o mesmo gosto da sua boca, e lumes
Dormindo numa paz sem ciúmes do mundo

Você pode até me achar louca por dizer assim
É porque eu não tenho certeza se vou dizer mais - também
Talvez eu não precise, quando já deslize
Meu corpo no seu, sem tradução humana ou alguma
Pele em acrobata rede... o olhar já configura a trama
Só quero ver quem vai sair dessa loucura
Sem conseguir não se perder feliz de uma vez por todas

Felicidade, enfim, é uma palavra muito forte...

Hoje a noite eu fiquei sem jeito com meu peito
Ele ficou me olhando torto- e a esquerdo
Como nenhuma outra vez
Acho que a única coisa que eu posso te fazer direito
É tentar, na minha profissão de amor sem jeito, te sentir
Mas vou dizer,sem medo de parecer ridícula
Sinto tudo por você - e desde quando te vi
Desde quando fechei os olhos e você começou a existir em mim
E nessa porta derrelida que não abre
Verso e verso- e sem sentido que não cabe
Nessas vezes em que a gente para e sente um sei-lá-o-que
Quando o tudo de repente faz rir de simplesmente sorrir
Mas meu bem, vou te dizer - sempre vou dizer
De vão em vão- mas vou dizer

Eu vou mudar...
Tudo vai passar...
Nunca mais isso vai acontecer...
Depois de mim, depois de você

Outras coisas vão te fazer lembrar
E você sempre vai pensar que só eu vou rir assim
Quando eu durmo e acordo e te beijo na alma, ainda dormente
Dessa vez vou te dizer do meu amor, meu bem
Mas vou chorar

...

Título: As velhas borboletas no estômago - por Cláudia Rocha

O foco de luz


"Porque vazios somos
Até que sonhamos"
(trecho de A premissa)

2009 km/h Estamos indo, ano... Estamos vindo, tempo - Segudos, segundos - esse plural que me abraça.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Luz neon sob 2009

pintura:Vladmir Kush

PREFÁCIO DO ANO-BOM

Eu não quero a construção
Eu quero poder construir
Não quero a palma
Apenas uma mão sobre a outra
Ou à cara do tapa
Dedos que falem mais do que apelos
Quero te levar à algum lugar
Que você jamais ousou pensar em existir
Um eu daqueles
Não-difícil de ler
Apenas mão na outra
Puxando o corpo e o adendo
Eu quero ser o instrumento
Tocado num quarto escuro
Sem salva de almas
A fala mera, o olho longo
O verso e descompasso da lágrima
Eu só quero ser
O embasso e o estilhaço
Um coração que aqueço
Guardo... - e te dou
Eu não quero um livro de molde
Ou pauta ou palco
Ou pálida palavra
Eu quero o gesto de amor que sou.